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Caim

Caim foi apresentado ontem, em Portugal. É o novo livro de Saramago que, como sempre, vem acompanhado de polémica, sal e pimenta. Eu vou comprá-lo e lê-lo. Depois vou apreciar se esta polémica é justificada ou não. Estou à espera é de gostar de o ler. Penso que isso é garantido, porque Saramago é amado ou odiado, sem tempo para meio termo. Coloquei-me na barricada dos que amam. Idolatro-lhe o olhar perspicaz e cru, a descrições límpidas e despreconceituadas, o génio incomodado e que incomoda. Quando for grande (e se na sina me estiver a escrita) quero ser como ele. Se é para viver que seja em pleno e com a capacidade crítica aguçada, contudo sem se dizer tudo o que se pensa, com uma dose q.b. de suspense e intelectualidade elevada, obrigando analises linguísticas profundas e devidamente contextualizadas no seu tempo e espaço. De certeza que ele não vai falar dos Caim e Abel da Bíblia, mas dos actuais, que povoam o mundo, que habitam entre a esfera do bem e a do mal. 

Sem mais,
Luís Gonçalves Ferreira

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Sem parágrafos

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