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Museu Nacional do Rio do Janeiro

Há muitos conceitos no hipertexto entre a noção de museu nacional e o diálogo que o estado-nação estabelece de forma privilegiada entre o artefacto, a história e a memória. Há noções intrínsecas sobre o valor deste ou daquele património, que se agasalha e evidencia num tipo de narrativa que desfila nas galerias e nas coleções públicas. O mesmo acontece com os arquivos nacionais. Muitos deles encravam-se em gavetas pejadas de categorias naturais, cujo efeito primeiro é o de condicionar que se vislumbre para além delas. O caso do Museu Nacional do Rio de Janeiro, que ardeu na passada madrugada, fala-nos muito sobre a forma como o mundo tem assistido, nos últimos anos, a uma falência brutal do sistema político brasileiro; como se a noção de estado-nação, da democracia e dos poderes gritasse por uma revisão. Os brasileiros choram e fazem luto, porque o património histórico é uma parte da família nacional, cujos recursos festejamos na educação e na cultura, entre as salas de aula e uma peça de teatro. Há muito de simbólico no aleatório que um acidente pode ter. A história é feita de desgraçadas e dos remédios que se lhe seguiram; esperemos que estas chamas provoquem algum tipo de efeito político. A memória de todxs justifica as lágrimas e os gritos pela facada de morte em algo que não tem um corpo físico quantificável. O número não atinge a alma e o mesmo devia acontecer com a cultura.

Luís Gonçalves Ferreira 

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Pensar mais do que sentir

Tenho saudades de ser pequeno, livre e inocente. Sinto falta da irresponsabilidade de ser cândido e não saber nada sobre nada. Estou nostálgico em relação ao Luís que já existiu, foi, mas que não voltará a ver-se como se viu. Este corpo e alma que agora me compõem são reflexos profundos da minha história. O jeito de sorrir, abraçar e beijar reflectem os sorrisos, abraços e beijos que fui recebendo. Sinto falta do Luís que só sabia dizer mamã e Deus da má'jude . Sinto a ausência das pessoas que partiram e que naquele tempo estavam presentes. Sinto saudade de só gostar da mãe e de mais ninguém. Sinto saudades de sentir mais do que pensar. É um anseio que bate, mas nada resolve, porque apenas cansa a alma. A ausência corrói a alma e o espírito. É nestas alturas que penso que a Saudade e o fado são as maiores dores de alma que consigo ter. Provavelmente, sou mesmo um epicurista. Luís Gonçalves Ferreira

Sem parágrafos

Por momentos  - loucos, é certo - esqueço-me de mim e sou capaz de amar. Amar sem parar, com direito às anulações, sofrimentos e despersonalizações que os amores parecem ter. Por momentos - curtos e fugazes - eu esqueço-me de mim e sou, inteiramente, completamente, antagonicamente teu. Entrego-me, como quem não espera um amor livre. Dou-me como quem sente que as minhas vísceras são as tuas entranhas. Abraço-te como quem encosta os corações, que outrora estavam frios, gelados e nus. Aproveita, meu amor, eu sou teu. Aproveita que estou louco e leva-me contigo, para sempre. Rapta-me o corpo, a mente e o descanso eterno deste insano coração. Corres, contudo, o sério risco de não me levares por inteiro. Prefiro trair o coração que a mente, amar a imagem do que viver intensamente a vida de outrem. Amor, querido e visceral amor, leva-me e mostra-me que existes. Não sei quantas horas tenho para cumprir esta promessa que fiz a mim mesmo. A memória irá voltar e corres risco de já não me acha...